terça-feira, 19 de julho de 2011

O blogueiro na encruzilhada



Lendo os 5 motivos que o editor do Ferramentas Blog elencou para voltar a visitar um blog, fico imaginando como deve ser angustiante para muitos ver boa parte dos seus esforços não sendo reconhecidos. Outro dia, um caso de insucesso (um blogueiro que investiu e não obteve resultados) também me fez pensar a mesma coisa. Coisas da blogosfera, coisas ocasionadas pelo crescimento sempre bem vindo desse bolo gigante. Só não desejamos que seja uma espécie de versão moderna da torre de babel, onde o principal motor de confusão não seja mais a questão idiomática (até porque hoje em dia, todo mundo consegue se comunicar, e até melhor), mas o excesso de informação.

Tenho seguido muito blog bom no Google Reader, muito feed interessante, muita gente "relevante" no Twitter e a barra de favoritos dos meus navegadores de cabeceira anda abarrotada. Enfim, posso dizer que no pouco tempo de atmosfera digital que respiro muita coisa boa já foi "catalogada" por meus gostos pessoas. E nem por isso leio tudo o que eles produzem, não consigo acompanhar nem 10% do total de produção mensal e nem por isso tenho me angustiado.

Outro dia, li que há certas pessoas que, se não acessam a caixa de mensagens do webmail pelo menos de meia em meia hora se angustiam, ficam irritadiças, como se estivessem perdendo o rumo do mundo. Imagine se eu iria passar 24 horas do dia tentando tragar tudo o que o meu leitor de feeds me apresenta? Em 24 horas não daria para acabar de ler (e absorver informação de) sequer metade do que foi publicado nas últimas horas. Portanto, ter alterações de humor por não dar conta de tarefas desse tipo é um completo disparate tecnológico! Se você dorme para ficar online e acorda para ficar também, a vida é sua, o problema é seu, o direito é seu, o prazer é seu, só estou discordando disso.

Todo aquele que produz algo para a internet quer ser lido. Seja o que posta as suas fotos e comentários mais recentes sobre o último aniversário, seja o blogueiro profissional que escreve quase cotidianamente sobre mercado de trabalho, seja qualquer pessoa do tipo. Se alguém produz alguma coisa na internet e opta pela reclusão, isso pode caracterizar duas situações: ou  esse alguém está conspirando a favor do seu marketing pessoal, ou ele escolheu o veículo errado, quando poderia ter optado por outro, mais local. Mas não é por que a roda do mundo digital não para de girar que todos os que assim trabalham, devem ficar angustiados se pouca gente tem tempo de ler, de visitar isso e aquilo. 
Na encruzilhada do excesso de informação nem sempre aquele que deu uma passada na sua página hoje voltará amanhã, porque você e eu corremos o mesmo risco frequentemente: o de nunca mais recebermos a atenção daquele visitante. 
E sobre ser original, é algo extremamente importante no meio desse emaranhado todo. Não podemos deixar que essa característica desapareça, ainda que já se vaticine que chegará um dia em que, por causa do excesso de "mensagens singulares" até a originalidade será banalizada. 
Não há receitas certeiras para se sair dessa encruzilhada perigosa. Mas, para encerrar, deixo aqui duas diretrizes que têm me ajudado com muita frequência: 
1) ter um pouco de paciência e
2) ter a convicção de que, via de regra, não haverá tempo suficiente para sermos humanamente infalíveis.  

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Os tempos de leitura na blogosfera

Quanto tempo você vai levar para ler este artigo?

"Estamos no limiar de uma nova era (sem misticismo!) em que tudo o que a gente diz pode ser revisado e atualizado, portanto corrigido - ou ratificado". Certamente você já ouviu alguma frase de efeito em algum lugar, não só na academia. Esta, até que me provem o contrário, eu acabei de inventar, mas também quero fundamentar nesta poucas linhas que me restam. 
E tem toda a razão - a afirmativa. Por isso que a Blogosfera é o melhor livro digital que a internet pôde inventar, que me perdoe o inventor do blog, o qual, segundo acabam de me dizer, foi Jorn Barger. Pena que não seja todo o tipo de literatura que tende a atrair a atenção dos leitores de blogs... Duvida? Então escreva um romance na blogosfera? Se tiver sucesso, me conte a experiência, que humildemente vou abaixar a cabeça. No mínimo, poderá ter sim, mas se for destrinchando a historia aos goles, bem homeopáticos, porque temos a estranha mania de ler superficialmente por estas bandas. 
Mas sou levado a crer que em blogs acontece um pouco do que Dalton Trevisan tentou, de certa forma, transpor para a literatura tradicional (acabei de rir com isso: "o prefácio do microconto só suporta uma vírgula"), ao ser adepto de um tipo de narrativa a que todos classificaram como microconto. Suspeito que ele matou ali a charada do mundo moderno, reconhecendo que por nossa falta de tempo é melhor optar por uma leitura rápida. Graças a esse tipo de precursor, hoje é uma maravilha twittar, pelo menos para mim, pois o Twitter atende a um pré-requisito primordial do homem moderno: é importante obter a informação sim, mas pode não ser tão importante assim precisar acessar aquele link relacionado a ela, para se aprofundar. Da mesma forma, é imprescindível fruirmos com a leitura de uma "Missa do Galo", de Machado de Assis, mas será que não tem como "twittar" esse conto? Hoje já tem como, com prejuízos, mas tem como. 


Vou encerrar este post, para não pecar na mesma proporção de tamanho do texto. Umberto Eco me ensinou nos seus Seis passeios pelos bosques da ficção que, em uma narrativa, existem pelo menos dois tempos a considerar: um é o tempo empírico da leitura e o outro é o tempo da ficção. Ambos geralmente não são muito lineares. Porém, na blogosfera, que prima muito pouco pela característica ficcional e está bem mais ligado ao pragmatismo da vida, é bom que a gente se acostume a linearizar esses tempos. 
Ou seja: o leitor parece gostar quando o tempo ele levou para ler um texto seja quase idêntico ao tempo "ficcional" do mesmo. Gosta ainda mais quando lê um post em um tempo tão rápido quanto o que ele vai levar para aplicar os conhecimentos adquiridos.
Ah, o cronômetro do meu celular me informou que levei basicamente um minuto e quarenta segundos para ler rapidamente esta postagem.
Acho que estou na média...