segunda-feira, 23 de maio de 2011

Seu blog está cheio de perguntas? Ou você se sai melhor com as respostas?



O blogueiro deve ir onde o “povo” está. Carlos Drummond de Andrade, em uma de suas crônicas, dizia que “o povo é um corpo sem cabeça” e quando ele acha a cabeça ela não se ajusta ao corpo. Entre as muitas significações dessa frase, contribuo com mais uma: o “povo” é uma abstração difícil de se agradar. Para este blog, “povo” é somente um grupo de leitores simpáticos e de boa vontade e minha intenção primordial por aqui é formalizar uma “cabeça” que chegue o mais próximo possível do “corpo” em que pretendo ajustá-la.
A prerrogativa de todos os que escrevem (postam) é esta: atrair o leitor, mantê-lo como visitante ainda que não assíduo e fazer com que ele traga mais visitantes. Se o blogueiro fosse um escritor de livros convencionais, sua prerrogativa seria a mesma, mudaria apenas o veículo.
Os blogs são um tabuleiro permanente na web, mal comparando novamente. Estão à espera dos “clientes” e muitas vezes eles passam para enfim ser atraídos por uma pergunta que deixamos no ar, ou por uma imagem que chame a atenção. E apenas lerão a pergunta e verão a imagem, o resto é visto muito superficialmente. O blogueiro vive a esmiuçar as potencialidades de seu tabuleiro, para tentar manter o “cliente” interessado uns minutos a mais do que o costumeiro. O fato é que se a feira livre é exigente, a internet é mais ainda, porque a fila é bem maior, os transeuntes são quantitativamente inúmeros e o leque de opções é infinitamente mais dispersante. Neste veículo imenso chamado blogosfera é muito difícil o vendedor se firmar somente com seu tabuleirinho.
Mas engana-se quem ache que a relação aqui é apenas comercial, porque se fosse ela não se sustentaria. A relação é de troca, mas não confundamos essa troca (interação) com aquela troca vista sob o enfoque da monetização de espaços na web. De que adianta seu blog ganhar muitos visitantes se você não pode travar com eles algum tipo de relação? E quem disse que muitos visitante necessariamente rendem muitos dividendos está errado.


Pode ser que este ou aquele leitor considere minhas respostas nada atraentes. Pode ser que outros achem que minhas perguntas também não sejam. Mas as perguntas têm um potencial muitas vezes superior às respostas que possamos dar. E certamente o leitor veio até aqui pela pergunta. Muitos blogueiros têm consciência disso e exploram bem esse filão. Em termos de produção de conteúdo para blogs, pensar um título bacana, de fato, pode garantir ótimas “conversões”. Mas assegurar que (embora se dê uma resposta bacana) ela não seja fechada é melhor ainda. É por isso que estou aqui e agora: para desmistificar a idéia de que todo leitor que chega ao seu blog vai lhe proporcionar “conversões” monetárias. O erro de muito blogueiro iniciante é acreditar que sendo ele o primeiro a ser “converter” ao capitalismo publicitário isso lhe trará alguma recompensa, somente pelo fato de estar agregando banners ao seu conteúdo. Nada vai acontecer. E nada vai acontecer por acaso. Não vai ser nem a pergunta, nem a resposta, nem o título tradicional que lhe garantirá conversões monetárias. Talvez nada lhe garanta monetização. Mas muita coisa vai acontecer com seu blog que lhe garanta muito trabalho.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Você conhece o crente virtual? Parte III


Ou cinco pequenas notas conclusivas sobre este assunto

Nunca lutei contra os falsários. Não sou o paladino da moralidade, já disse isso aqui. Este blog não se prestará a isso. Trataremos de internet, blogosfera, gente de internet (gente que usa a internet, gente que está na internet, gente de tecnologia) e de outros aspectos que envolvam a profissionalização do blogueiro, sem necessariamente ter o mesmo foco dos demais colegas, que são muito bons no que andam fazendo.
Quando comentei sobre as espécies de crente virtual que via perambulando na rede nunca quis ser o blogueiro crentão, ou o blogueiro crentinho, muito menos o bloqueirinho “acima do bem e do mal”. Apenas quis, constitucionalmente amparado, demonstrar algumas opiniões por meio de fatos, como faz o jornalista, embora não seja. Por isso, buscando encerrar a franquia de postagens a este respeito, seguem as últimas palavras a respeito. Embora não sejam conclusivas, neste blog pretendem ser.
1. O crente virtual não se contenta em professar sua fé na internet, ele precisa fazer isso exclusivamente neste instrumento de comunicação, porque no resto da sua vida cristã essa profissão de fé não está em primeiro plano.
2. O crente virtual ainda não aprendeu a usar a internet para aumentar a sua fé, ntanto no conhecimento quanto na graça. Aprendeu a usar Orkut, Msn e Badoo, mas isto não é a mesma coisa.
3. O crente virtual está de parabéns, pois pelo menos dá muita audiência aos produtores de scraps animados com mensagens singelas.
4. O crente virtual do sexo feminino é uma coisa. O do sexo masculino, outra. Muitas vezes, uma coisa estarrecedoramente diferente…
5. Cuidado para que o próximo crente virtual não seja eu, nem seja você. Tudo vai depender da nossa vigilância e do nosso temor.