quinta-feira, 26 de maio de 2011
3 momentos virtuais: um post hermético
Não nego que muitas vezes quis voltar às minhas origens. Tempo em que eu podia poetizar a vida sem compromisso e sem a obrigatoriedade do direito autoral. Tempo em que escrevia diários de papel, hoje inexistentes. Nonada.
Volta às origens, mas sem nostalgia. Principalmente na vida virtual, a dois. Por que isso agora? Por que um post hermético desse jeito, IWM?
Explico (ou divago):
1- No Facebook, um casal recém brigado poderia trocar farpas, lavar a roupa suja. Isso é aceitável?
De antemão, minha resposta é: não devia, não pode, fica feio, mas cada um é que sabe de sua vida. Por outro lado, muita tranquilidade disfarça tanta coisa oculta numa relação… E aí, o Facebook poderia ajudar em lavar essa roupa suja?
Poderia, mas poucos são os corajosos dignos. Todo mundo quando pensa nisso pensa logo em manchar a reputação de alguém, mas isso eu não concordo. Há diversas formas de você demonstrar sua insatisfação, sendo decente para consigo e para com o próximo. Houve também o caso daquela parceira, noticiado na imprensa recentemente, que resolveu escancarar de vez, postando imagens do ex para demosntrar a sua cafajestice. Poucos se prestam para isso. Estou fora. Teve também o caso do homem que resolveu esculhambar a ex-namorada na blogosfera. Totalmente fora de propósito. Uma vida a dois não pode ser manchada por circunstancias como essa. Não na web.
Outro dia, reparei em um casal, desses quaisquer que andam por aí, claro que conhecido (se não fosse não poderia testemunhar). Discutiram na vida real. E nas redes sociais aconteceu o quê?
Não aconteceu nada, pelo menos no casal estudado pelo IWM (sem métodos). Nenhuma frase de duplo sentido, nenhuma indireta, nenhuma descompostura, só um sigelo e disfarçado apelo:
- Calma, amorzinho…Deixa isso pra lá… Nos conhecemos tão bem.
2. O MSN só pode estar bichado, ultimamente…Mas tem casal excluindo-se mutuamente?
Sim, tem. As desculpas são variadas. Mas o fato é que o parceiro excluir a parceira pega mal por demais. Por outro lado, ninguém gosta de ser patrulhado.
3 – O Orkut serviu para ela (ou ele) te ignorar?
Sim, há casais de namorados, por exemplo, em que um dos membros resolveu ignorar o outro. O que isso pode sinalizar?
Tantas coisas, ou nenhuma. Depende do tipo de casal. Depende do tipo de ignorância. O motivo pode ter sido aquele último desacordo da noite passada.
Voltar às origens resolve esses dilemas virtuais? Pode ser que não dê nem tempo. Dramas passionais tratados na rede estão exigindo cada vez mais velocidade de resolução, e não tem dado tempo da gente pensar em glamourizar por demais casa caso.
Eu fico com o velho papo a dois. A velha poesia. As palavras cuidadosas do dizer do homem e da mulher que podem curar até mágoas retrancadas. O post continua hermético. Não teve jeito.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Seu blog está cheio de perguntas? Ou você se sai melhor com as respostas?
O blogueiro deve ir onde o “povo” está. Carlos Drummond de Andrade, em uma de suas crônicas, dizia que “o povo é um corpo sem cabeça” e quando ele acha a cabeça ela não se ajusta ao corpo. Entre as muitas significações dessa frase, contribuo com mais uma: o “povo” é uma abstração difícil de se agradar. Para este blog, “povo” é somente um grupo de leitores simpáticos e de boa vontade e minha intenção primordial por aqui é formalizar uma “cabeça” que chegue o mais próximo possível do “corpo” em que pretendo ajustá-la.
A prerrogativa de todos os que escrevem (postam) é esta: atrair o leitor, mantê-lo como visitante ainda que não assíduo e fazer com que ele traga mais visitantes. Se o blogueiro fosse um escritor de livros convencionais, sua prerrogativa seria a mesma, mudaria apenas o veículo.
Os blogs são um tabuleiro permanente na web, mal comparando novamente. Estão à espera dos “clientes” e muitas vezes eles passam para enfim ser atraídos por uma pergunta que deixamos no ar, ou por uma imagem que chame a atenção. E apenas lerão a pergunta e verão a imagem, o resto é visto muito superficialmente. O blogueiro vive a esmiuçar as potencialidades de seu tabuleiro, para tentar manter o “cliente” interessado uns minutos a mais do que o costumeiro. O fato é que se a feira livre é exigente, a internet é mais ainda, porque a fila é bem maior, os transeuntes são quantitativamente inúmeros e o leque de opções é infinitamente mais dispersante. Neste veículo imenso chamado blogosfera é muito difícil o vendedor se firmar somente com seu tabuleirinho.
Mas engana-se quem ache que a relação aqui é apenas comercial, porque se fosse ela não se sustentaria. A relação é de troca, mas não confundamos essa troca (interação) com aquela troca vista sob o enfoque da monetização de espaços na web. De que adianta seu blog ganhar muitos visitantes se você não pode travar com eles algum tipo de relação? E quem disse que muitos visitante necessariamente rendem muitos dividendos está errado.
Pode ser que este ou aquele leitor considere minhas respostas nada atraentes. Pode ser que outros achem que minhas perguntas também não sejam. Mas as perguntas têm um potencial muitas vezes superior às respostas que possamos dar. E certamente o leitor veio até aqui pela pergunta. Muitos blogueiros têm consciência disso e exploram bem esse filão. Em termos de produção de conteúdo para blogs, pensar um título bacana, de fato, pode garantir ótimas “conversões”. Mas assegurar que (embora se dê uma resposta bacana) ela não seja fechada é melhor ainda. É por isso que estou aqui e agora: para desmistificar a idéia de que todo leitor que chega ao seu blog vai lhe proporcionar “conversões” monetárias. O erro de muito blogueiro iniciante é acreditar que sendo ele o primeiro a ser “converter” ao capitalismo publicitário isso lhe trará alguma recompensa, somente pelo fato de estar agregando banners ao seu conteúdo. Nada vai acontecer. E nada vai acontecer por acaso. Não vai ser nem a pergunta, nem a resposta, nem o título tradicional que lhe garantirá conversões monetárias. Talvez nada lhe garanta monetização. Mas muita coisa vai acontecer com seu blog que lhe garanta muito trabalho.
Assinar:
Comentários (Atom)