quinta-feira, 14 de julho de 2011

Os tempos de leitura na blogosfera

Quanto tempo você vai levar para ler este artigo?

"Estamos no limiar de uma nova era (sem misticismo!) em que tudo o que a gente diz pode ser revisado e atualizado, portanto corrigido - ou ratificado". Certamente você já ouviu alguma frase de efeito em algum lugar, não só na academia. Esta, até que me provem o contrário, eu acabei de inventar, mas também quero fundamentar nesta poucas linhas que me restam. 
E tem toda a razão - a afirmativa. Por isso que a Blogosfera é o melhor livro digital que a internet pôde inventar, que me perdoe o inventor do blog, o qual, segundo acabam de me dizer, foi Jorn Barger. Pena que não seja todo o tipo de literatura que tende a atrair a atenção dos leitores de blogs... Duvida? Então escreva um romance na blogosfera? Se tiver sucesso, me conte a experiência, que humildemente vou abaixar a cabeça. No mínimo, poderá ter sim, mas se for destrinchando a historia aos goles, bem homeopáticos, porque temos a estranha mania de ler superficialmente por estas bandas. 
Mas sou levado a crer que em blogs acontece um pouco do que Dalton Trevisan tentou, de certa forma, transpor para a literatura tradicional (acabei de rir com isso: "o prefácio do microconto só suporta uma vírgula"), ao ser adepto de um tipo de narrativa a que todos classificaram como microconto. Suspeito que ele matou ali a charada do mundo moderno, reconhecendo que por nossa falta de tempo é melhor optar por uma leitura rápida. Graças a esse tipo de precursor, hoje é uma maravilha twittar, pelo menos para mim, pois o Twitter atende a um pré-requisito primordial do homem moderno: é importante obter a informação sim, mas pode não ser tão importante assim precisar acessar aquele link relacionado a ela, para se aprofundar. Da mesma forma, é imprescindível fruirmos com a leitura de uma "Missa do Galo", de Machado de Assis, mas será que não tem como "twittar" esse conto? Hoje já tem como, com prejuízos, mas tem como. 


Vou encerrar este post, para não pecar na mesma proporção de tamanho do texto. Umberto Eco me ensinou nos seus Seis passeios pelos bosques da ficção que, em uma narrativa, existem pelo menos dois tempos a considerar: um é o tempo empírico da leitura e o outro é o tempo da ficção. Ambos geralmente não são muito lineares. Porém, na blogosfera, que prima muito pouco pela característica ficcional e está bem mais ligado ao pragmatismo da vida, é bom que a gente se acostume a linearizar esses tempos. 
Ou seja: o leitor parece gostar quando o tempo ele levou para ler um texto seja quase idêntico ao tempo "ficcional" do mesmo. Gosta ainda mais quando lê um post em um tempo tão rápido quanto o que ele vai levar para aplicar os conhecimentos adquiridos.
Ah, o cronômetro do meu celular me informou que levei basicamente um minuto e quarenta segundos para ler rapidamente esta postagem.
Acho que estou na média...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vamos ganhar dinheiro na internet?



Mais um homem morre por causa da internet. Pelo menos é o que estão suspeitando. Ele conheceu uma mulher de outro Estado, até largou o emprego. No JN foi informado que ele   até chegou a ajudar financeiramente a "futura companheira". Enfim, sonhava com uma amor de verdade proporcionado pela internet. Se as investigações comprovarem que sua morte foi uma emboscada que contou com a participação (intelectual ou física) da "namorada", fica mais uma vez comprovado o quanto este nosso veículo tão poderoso no mundo das comunicações também é seguramente uma fábrica de produzir falsas expectativas.
Por falar em falsas expectativas, não é apenas na esteira sentimental que ela produz as suas vítimas. É em qualquer área. Por exemplo, aquelas empresas que vendem um pacote bem estranho, o de "ganhar dinheiro em casa, ou até mesmo dormindo".
O blog do Simomura tem algumas análises desse tipo de empreendimento digital. Outro dia, fiquei bastante impressionado com uma dessas análises, porque sobre essa questão eu sempre fui preconceituoso: boa parte do que basicamente suspeitava sobre essas propostas de vida fácil acontece mesmo, pois, em sua maioria, elas são um embuste, no qual ou só uns poucos espertos ganham ou, só depois de muito investimento, você junta umas moedas. 
Sinal dos tempos, haja vista que uma das primeiras obsessões - até impulsivas - de muito cidadão virtual diante de um buscador qualquer é a de procurar formas de ganhar dinheiro na internet. Seja produzindo um site, um blog, uma startup inovadora, seja investindo em e-books mirabolantes e técnicas de SEO para páginas da web, seja no alto respaldo de uma poltrona de sua casa, o fato é que muita gente pretende ganhar dinheiro nos próximos todos os minutos futuros... Pode ter certeza. 
Não estou simplesmente negando as reais possibilidades de ganhos, de trabalho, de remuneração ou de reconhecimento na internet, porque sei que elas existem. Acredito que existam maneiras bem humanas de se fazer tudo isso no mundo capitalista, sem precisar levar a má-fé ao extremo. Muita gente já está fazendo isso, muita gente se dá bem. De uma forma ou de outra, não é toda pessoa que inicia alguma coisa aqui - seja um negócio ou seja um relacionamento - que vai acabar na penúria, sendo lesado ou perdendo a vida.  
E, para concluir, no meio de tanta embromação afetiva, assediosa, ilusória, compulsiva, criminosa e indecente, Bruno afirma uma coisa tão lúcida que vale a pena transcrever:

"eu entendo que é real a meta de ganhar dinheiro na internet, mas também entendo que grande parte do sucesso está no valor que eu dou para cada ser humano. Saber ouvir, saber escutar, entender os reais motivos e principalmente: ser uma luz no fim do túnel quando ninguém acredita, ser o ouvido que ele não encontra no momento" (...). O meu real desejo é mostrar que é possível guiar as pessoas para um bom planejamento na internet, sem que seja necessário vender essa informação, pois um laço de confiança e a possibilidade real de melhorar a vida de alguém definitivamente, não tem preço!" (fonte: http://www.ganhando-dinheiro.com/trabalho-casa/verdades-renda, acesso em 13 de julho de 2011)