quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Coisas do marketing multinível e da desconfiança humana


Pelo visto, o negócio do marketing multinível está bombando. Todos querem copiar, inclusive este blogueiro, que outro dia lançou uma idéia, nada nova, que se não foi passível de arrependimento, pelo menos está sendo passível de cautela. Cautela para não ser taxado de blogueiro mercenário, porque eu já estou muito feliz simplesmente com a primeira atribuição e jamais pretenderei manchá-la com a segunda. Outro dia, recebi por email outra proposta de marketing multinível, agora aplicada ao sistema de recargas de celular. Arquivei o e-mail, mas até o momento desta postagem não foi encontrado (o Gmail não falhou, foi o blogueiro mesmo). 
A proposta, resumidamente convidava cada participante a entrar com 20 reais e formar sua rede com mais sete pessoas, uma das quais serviria para "alimentar" toda a cadeia formada, nessa primeira geração e assim sucessivamente, a cada geração formada. Em algum ponto da associação, cada membro seria beneficiado com recargas para o seu próprio celular. Primeiro, achei muito caro o valor da contribuição, algo que por si só merece ser objeto de desconfiança. Afinal de contas, a internet, diferentemente do mundo, é o lugar em que cada cidadão deve exercer ao máximo o seu poder de desconfiança, por mais que o fato seja procedente, verdadeiro, amável, amigável, lucrativo. 
Como disse, "não é de hoje que arquiteto intimamente uma maneira de as nossas redes socio-profissionais de blogueiros darem um lucro a mais, além do que já dão. O problema é que em tudo isso paira a mesma desconfiança que procuro exercer na proposta dos outros. 
Não que para mim os infernos sejam os outros, mas é que em se tratando de "pedir e dar-se-vos-á", em qualquer nível, sempre acontecem turbulências do gênero, algo também comum entre os céticos do dar, dizimar e ofertar dos cristãos(muita gente pensa que a relação que existe entre o dizimar e o ofertar é apenas a "relação comercial" de um crente que vai financiar o pastor, o ministério, os castelos em forma de templo, os "bispos" gerais. Mas eu não vou entrar no mérito dessa questão - não desta vez).
Quanto ao marketing multinível para blogueiros, vamos deixando de lado por um tempo até que alguma voz se sobressaia em meio ao silêncio. Um dia, uma fênix pode comer a sua ração por estas bandas...


O blogueiro deveria ser três


Nunca fui de exigir muito da vida, a não ser o essencial de todo o homem (que pode ser qualquer coisa, infelizmente). Mas nos últimos anos, ficaria feliz se pudesse ser uns três eus, para dar conta das minhas atividades e das que aparecerem. Por mais que você ignore certos fenômenos da vida, sem ficar alienado, sempre vai ficar o gostinho de que você poderia ter feito mais, não há como negar. Em matéria de trabalho individual, o dilema é o mesmo. Tomemos o exemplo dos blogs, mais uma vez.
Se o blogueiro pudesse ser três, acotenceria o seguinte, no planos dos ideais de vida:

1. Seus leitores iriam ser compensados com o tempo de pesquisa e o apuro formal.

Não precisamos ter uma disciplina parnasiana em tudo, porque é altamente complexo. Ainda bem que ninguém é obrigado a ler nada de ninguém, salvo em casos de legislação, religiosos, laborativos ou escolares (cursos, concursos, exames, recrutamentos), mas bem que o blogueiro que se ache responsável por aquilo que vem fazendo merecia ter um tempo só dele para esmiuçar cada postagem. Com 100% de certeza, ele iria empreender revisões em quase tudo o que disse.

2. Seu trabalho não seria interrompido.

Por conseguinte, suas acumulações de função/atribuição seriam apenas uma exigência do mercado de trabalho brasileiro, que ainda não reconhece o valor justo de muitos afazeres profissionais.Você seria feliz com seus dois eus (até aqui) só de imaginar o quanto é bom corresponder às expectativas das pessoas. Com isso, não estou dizendo que alguém deva viver em função das expectativas dos outros, claro.

3. Você não irá parar no leito por conta da sobrecarga.

Sem dúvida, "precisaremos amadurecer muito ainda na lida com as dificuldades inerentes à administração do nosso cronômetro, talvez começando pela mais simples das decisões, como abrir mão de alguma coisa que nos prende". Conheci uma jovem senhora que não aguentou a pressão, se desligou de fazer o que gostava. 
É justamente aí que está o perigo: você acabar sendo penalizado por fazer o que gosta. Imagine isso na sua vida, blogueiro?