terça-feira, 3 de maio de 2011

A constância é uma qualidade para você, blogueiro?


Existem alguns pecados que nós cometemos, enquanto blogueiros. O caipira Zé do Mér resumiu bem essa questão, que envolve a criação e, principalmente, a manutenção de um blog. Você pode tomar aquelas dicas para a sua vida, sem precisar ser profundamente metafísico e sabendo adequar as coisas.

Tenha tempo para blogar (1), sim. Do mesmo jeito que você tem tempo para assistir televisão ou de fazer outra atividade, até mesmo improdutiva. O fato é que uma atividade sem demandas, sem finalidades básicas não gera motivação. O professor que dá uma aula sem objetivos, não atinge o mínimo de realização de que precisava, os alunos lhe darão um péssimo retorno. Do mesmo modo, o preço pela esporadicidade na blogosfera não é apenas o descaso, mas é a consciência de que você está criando a ilusão filosófica ou epifânica de que seu produto é para a "posteridade". Acho que uma das piores ilusões do blogueiro é essa visão de mundo, meio herança do romantismo literário e filosófico do século XIX: essa visão de que se está gestando uma "grande obra" e que ela terá seu valor no futuro, na dita "posteridade". Não terá. Ninguém está lá tão interessado assim por algo que não seja minimamente pragmático - eu, pelo menos, não, mas isso não é regra. Blogueiro, acredite muito no presente. Isso poderá fazer a diferença na sua trajetória. A posteridade é você, penso que isso é, por si mesmo, um bom ponto de partida. Você está valorizando a "posteridade" dos outros? Então não se queixe se os outros não valorizarem a sua. 
Quando se é frequente em produzir (2), em escrever, em inovar, em absorver conteúdos que contribuam para a sua informação e a sua formação, enfim, em fazer algo que lhe tire da passividade (e veja que de novo, isso não se restringe à blogosfera), você, se não tender a ser mais realizado (do ponto de vista material) pelo menos tenderá a ter a completa percepção de suas potencialidades. O resto vem por acréscimo, fruto de sua lealdade consigo mesmo, fruto da noção exata de suas limitações pessoais, fruto da quebra de paradigmas atávicos: os seus. 
Aliás, lealdade consigo mesmo é um item que passa pelas três dicas finais do blogueiro Caipira (leia os outros [3], valorize os que eles dizem [4] e não imite ipsis literis o que os outros dizem, limitando-se a ser um medíocre plagiador [5]). A lealdade consigo mesmo é tudo isso e vai mais além. Ela toca no princípio de que você pode até vender o que produz (todo mundo quer um lugar ao sol, ninguém precisa ignorar isso), mas não caia na besteira de querer vender um produto tão original aos seus olhos que lhe dê o direito de querer ditar alguma coisa, como se em tempos de redes de conhecimento ainda fosse possível ser insubstituível e guru. No máximo, você deve fazer como os metablogueiros fazem: vendem aquilo que é fruto da experiência e do trabalho árduo, muitas vezes. Isso é um tipo de lealdade que dá para tomar como exemplo, isso é ser realista, isso é ser "original", sem ser exclusivista.
É isso aí, as palavras do blogueiro estão indo e retornando...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

3 notas sobre blogueiros e pregadores




Escrevi o último texto e me ocorreu, algum tempo depois, a lembrança de que pregadores também gostam de enumerações didáticas. A fim de não traçar generalidades, quando estiver falando sobre “pregadores” estou me referindo aos pregadores evangélicos, e não às outras categorias dos tais. Dito isto, quero tão somente montar esta nova (ou velha) analogia: blogagem é uma espécie de pregação e a recíproca é igualmente verdadeira. A seguir, menciono algumas das similaridades e  alguns dos senões entre blogueiros e pregadores, divididos em 3 notas curtas.

O blogueiro e o pregador:
1. Não são jornalistas, nem pretendem ser.
E graças por isso!… Dá para ser imparcial tanto na blogosfera quanto nos púlpitos, sem deixar de lado a responsabilidade com a [p]alavra (“P” maiúsculo e “p” minúsculo)
2. Querem atingir seu público-alvo.
O público alvo do blogueiro: aqueles que apreciam seu conteúdo. O do pregador: aqueles que já apreciam um conteúdo que não é diretamente seu (é do Espírito Santo) mas, principalmente, aqueles que não apreciam (os “gentios”, digamos assim). Neste aspecto, o pregador leva vantagem sobre nós. Atingir os não conhecedores da Palavra é um dos grandes imperativos deles.
3. Ganham boa reputação se pregarem o que vivem e viverem o que pregam.
Na maioria dos casos, isto gera satisafação e bom testemunho para ambos.
Mas há um outro senão aqui: o pregador não deveria vender a Palavra que prega (“De graça recebei, de graça dai…”), seja ela dura ou branda, pelo menos da maneira como alguns o fazem. Com isso não estou defendendo a idéia de que todo pregador faça voluntarismo puro e simples. Já o blogueiro pode “vender” a sua palavra (olha a letra “p”!). desde que “boa” (o que não quer dizer necessariamente que seja branda, mas que tenha alguma qualidade, geralmente oriunda de sua boa reputação).

Contudo, sobre esta última nota, ao final fica evidenciada uma regra básica, válida para as duas categorias de profissionais: eles não podem se vender.