quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vamos ganhar dinheiro na internet?



Mais um homem morre por causa da internet. Pelo menos é o que estão suspeitando. Ele conheceu uma mulher de outro Estado, até largou o emprego. No JN foi informado que ele   até chegou a ajudar financeiramente a "futura companheira". Enfim, sonhava com uma amor de verdade proporcionado pela internet. Se as investigações comprovarem que sua morte foi uma emboscada que contou com a participação (intelectual ou física) da "namorada", fica mais uma vez comprovado o quanto este nosso veículo tão poderoso no mundo das comunicações também é seguramente uma fábrica de produzir falsas expectativas.
Por falar em falsas expectativas, não é apenas na esteira sentimental que ela produz as suas vítimas. É em qualquer área. Por exemplo, aquelas empresas que vendem um pacote bem estranho, o de "ganhar dinheiro em casa, ou até mesmo dormindo".
O blog do Simomura tem algumas análises desse tipo de empreendimento digital. Outro dia, fiquei bastante impressionado com uma dessas análises, porque sobre essa questão eu sempre fui preconceituoso: boa parte do que basicamente suspeitava sobre essas propostas de vida fácil acontece mesmo, pois, em sua maioria, elas são um embuste, no qual ou só uns poucos espertos ganham ou, só depois de muito investimento, você junta umas moedas. 
Sinal dos tempos, haja vista que uma das primeiras obsessões - até impulsivas - de muito cidadão virtual diante de um buscador qualquer é a de procurar formas de ganhar dinheiro na internet. Seja produzindo um site, um blog, uma startup inovadora, seja investindo em e-books mirabolantes e técnicas de SEO para páginas da web, seja no alto respaldo de uma poltrona de sua casa, o fato é que muita gente pretende ganhar dinheiro nos próximos todos os minutos futuros... Pode ter certeza. 
Não estou simplesmente negando as reais possibilidades de ganhos, de trabalho, de remuneração ou de reconhecimento na internet, porque sei que elas existem. Acredito que existam maneiras bem humanas de se fazer tudo isso no mundo capitalista, sem precisar levar a má-fé ao extremo. Muita gente já está fazendo isso, muita gente se dá bem. De uma forma ou de outra, não é toda pessoa que inicia alguma coisa aqui - seja um negócio ou seja um relacionamento - que vai acabar na penúria, sendo lesado ou perdendo a vida.  
E, para concluir, no meio de tanta embromação afetiva, assediosa, ilusória, compulsiva, criminosa e indecente, Bruno afirma uma coisa tão lúcida que vale a pena transcrever:

"eu entendo que é real a meta de ganhar dinheiro na internet, mas também entendo que grande parte do sucesso está no valor que eu dou para cada ser humano. Saber ouvir, saber escutar, entender os reais motivos e principalmente: ser uma luz no fim do túnel quando ninguém acredita, ser o ouvido que ele não encontra no momento" (...). O meu real desejo é mostrar que é possível guiar as pessoas para um bom planejamento na internet, sem que seja necessário vender essa informação, pois um laço de confiança e a possibilidade real de melhorar a vida de alguém definitivamente, não tem preço!" (fonte: http://www.ganhando-dinheiro.com/trabalho-casa/verdades-renda, acesso em 13 de julho de 2011)



domingo, 10 de julho de 2011

Escrever, em qualquer veículo, é treino

A primeira ferramenta que desenvolve o lado escritor de qualquer blogueiro é ler.

O caro exercício da leitura é fundamental. Sim, este mesmo ato, do qual muitos andam fugindo na escola e acabam realizando por obrigação para passar em vestibulares e concursos (mas depois essa mesma gente quer estourar na blogosfera...). Por mais que a internet tenha nos retirado da reclusão da leitura do livro de papel, precisaremos continuar ligados à atividade, independente de qual seja o veículo que o divulgue.
Há um ano, havia dito que tinha um certo temor quanto ao hábito da leitura associado ao uso frequente da internet, pois temia que a cada dia eu mesmo mais me afastasse dos livros de papel por causa das novas tecnologias. Continuo com a mesma opinião. De um ano para cá li bastante, mas se fizesse uma estatística primária de quantos livros integrais (digitais ou não) foram lidos, as leituras empreendidas no computador vencem de sobra. Há um prejuízo nisso: na internet, nem sempre lemos com debruçamento, tudo o que absorvemos é parcela mínima da miscelânea de conhecimento humano, envolvida numa eterna diáspora de fragmentos. A solução, se não chega a ser simples, pelo menos existe. Basta cada um desenvolver suas técnicas de leitura pelo computador, de maneira a que os possíveis prejuízos da leitura superficial sejam sanados, paulatinamente. 

A segunda ferramenta que desenvolve o lado escritor de qualquer blogueiro é treinar.

Nos primórdios deste blog, havia dito que escrevi diários por cerca de sete anos. Tirando os motivos que me levaram a abandonar o ofício, acredito que foi uma bela escola. Não escola de blogagem apenas, mas escola de escrita, oficina prática, e escrita entendida como um todo, seja para uma redação de vestibular, um artigo para este blog, uma resenha acadêmica ou um produto textual de maior peso. Muito do que sou enquanto "produtor de textos" pode ser atribuído à arte de escrever diários pessoais. Afirmo isso com a maior humildade possível. 
Ironica ou paradoxalmente, nunca consegui encarar a blogosfera como "página de diário virtual", se bem que havia tentado. No máximo, consegui tranformar um dos blogs que já tive em um divulgador de meus poemas. O blog se chamava "O diário esparso" e hoje está somente arquivado no Blogger, fechado para acessos e sem atualizações - projeto abandonado. 
Com essas considerações, estou apenas querendo chegar ao ponto-chave da questão da escrita: acredito que escrever é treino. Como professor, tocava muito nessa tecla junto aos alunos: "gente, escrever é ler (fundamentação) e escrever (ação)". Ou seja, só escreve melhor quem lê mais e escreve mais, isto é, treina bastante, porque escrita é também uma tarefa bastante instrumental.
Não estou afirmando que o ato de escrever diários vai resolver os problemas de má leitura e de má redação de todos nós brasileiros. Também não sou bobo de dizer que o simples fato de se ler mais gerará automaticamente uma geração de bons "redatores" (nem vou dizer escritores). Na seara que envolve leitura e escrita não acredito que as coisas aconteçam mecanica ou automaticamente. Se fosse assim, todo doutor ou pós-doutor escreveria que era uma maravilha.  

Tudo, por fim, acaba na mesma tônica mencionada anteriormente: basta-nos desenvolvermos as nossas "técnicas" de leitura e as nossas técnicas pessoais de escrita, de maneira a que aos poucos percebamos que os avanços estão acontecendo.  Mas não apenas nós percebamos, os outros também, principalmente.
 
Ah, e não escreva para si mesmo, a companhia do outro no processo é fundamental. Nem que seja apenas uma segunda pessoa. Quem sabe ela não consegue uma terceira?