sábado, 5 de dezembro de 2015

Como fazer cristianismo social na igreja - parte 5

O brasileiro médio diz que sobre "religião, política e futebol" ele não discute. Eu prefiro dizer de outra forma: como não me sinto entendido em assunto algum (especialista em coisa alguma) vou continuar exercendo o hábito de discutir sobre os assuntos que aparecerem, nem que seja para dizer minha frase clássica: "isso é complexo" (uma boa forma de fugir do assunto por pura ignorância de minha parte).

Considero melhor ouvir uma pessoa tida como "ignorante" falando de política, religião e futebol, do que ouvir um "entendido" se esquivando de quaisquer assuntos, por questão de fé, crença, religiosidade, apego às instituições religiosas, compromisso com ministros, ou qualquer motivo.
Discutindo com amigos sobre temas "complexos", percebo que justamente quando o assunto é religião  - e cristã - muitos fogem da conversa. Certamente, eu prefiro tomar isso como uma postura de "boa vizinhança". Não acredito que seja medo de expor a fé. Não quero acreditar nisso. Ou será que sou eu quem estou dando a cara para bater, revelando que minha fé cristã vive certos conflitos, diante de tanto burburinho teológico, histórico, arqueológico e político que se ouve?
Se é isso, eu não sei. O que dá para saber é que nesse tipo de igreja de que venho falando,  a máxima da religiosidade seria esta:
"Tiago: 1. 27. A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como sincera e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e, especialmente, não se deixar corromper pelas filosofias mundanas."
Ela precisará ser uma organização que faça tudo pelo social,  até o máximo do seu limite. Não iria pregar comunismo, socialismo, capitalismo, só iria procurar focar na multiplicação da filantropia,  sem se importar com a crença da pessoa ajudada.

domingo, 29 de novembro de 2015

Como fazer cristianismo social na igreja - parte 4

A experiência que tenho como membro de igreja evangélica é simples e pode ser descrita no coletivo: entramos para seguir a Jesus e aos princípios doutrinários daquela denominação, e geralmente nos acostumamos a ser crentes passivos.
Afinal de contas, existe em qualquer igreja uma cúpula geralmente liderada pelo pastor local, o qual está imediatamente subordinado ao pastor setorial, que por sua vez está sendo conduzido por um pastor maior e assim por diante. Acabamos nos conformando com o nosso papel de simples contribuintes da "obra de Deus", e não nos importa o que a denominação fará com aquele dinheiro. Meu Deus, e se as igrejas brasileiras fizerem como os políticos brasileiros? Se os "caciques" passarem a abrir contas no exterior, acumular capital e mais nada?
Eu teria certo receio de viver num país em que uma "lei da transparência" passasse a vigorar para as denominações religiosas. Acredito que muito do que fosse divulgado acabaria desviando muita gente. Mas muita coisa certamente seria sonegada...
Não quero criticar uma congregação, mas a maioria delas. Apesar de crente e um pouco visionário, sei que nada vai mudar no status quo que aí está. Mas sonho com pelo menos um dia em que as prestações de conta das igreja caminhassem passo a passo com pelo menos a fiscalização crítica.
Reconheço que determinados "trabalhadores" da obra de Deus deveriam ser remunerados. Já fui tesoureiro de igreja e começaria dizendo que o primeiro a ser remunerado (nem que fosse com uma ajuda de custo) seria o tesoureiro. Quantas não foram as vezes em que me via em apuros financeiros? Depois desse servo, viria pelo menos o pastor e o pastor auxiliar. Esses três servos, e alguns outros dentro da congregação, deveriam ter alguma forma de remuneração.
Não há mal em trabalhadores do evangelho serem beneficiados com alguma forma de remuneração. Pior coisa já se faz: pregadores que  cobram cachê e só vão a eventos de porte, cantores que cobram cachê e só cantam em eventos que gerem boa renda (por que não ir às igrejinhas?), pastores que têm sua igreja como empreendimento, cobranças de dízimos, super ofertas, super votos monetários, etc.
No próximo post, falarei de dízimos e ofertas.