quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Semana Nacional de Tecno e o Missionário do Software Livre


Há um bom tempo que simpatizo com toda essa "corrente do bem" que prega e produz opções de software de código aberto. Vejo o  momento e o movimento numa fase ainda incipiente, talvez  porque os conglomerados empresariais que mandam no mercado de software no mundo ainda ofuscam bastante nossos ângulos de visão. Antes de outra coisa, também não vou ser hipócrita o suficiente para afirmar que sou contrário às leis do mercado capitalista, até porque isso seria de uma burrice execrável. Afinal, quem não gostaria de ter máquina hoje suficiente para migrar para o Windows 7? Quem não se encanta com as performances dos produtos de uma Adobe ou da prestreza de uma Symantec? Alguns desses temas foram discutidos na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, mas não pensei em ver o que vi nas palestras: quase uma falta de quorum. Achei que por estar na academia (a universidade), aqueles auditórios iriam ficar tão cheios quanto já ficaram em momentos de conflito, naquelas prolongadas assembléias de movimento grevista que já acompanhei. Hoje, numa apresenação sobre o que pessoal de Engenharia da Computação (Pet-Ecomp - UEFS) tem feito para reaproveitar máquinas caça-níqueis apreendidas pela polícia, transformando-as em urnas eletrônicas, quase que a estudante e palestrante iria se comunicar com as cadeiras!
O Projeto do Pet-Ecomp é promissor: em princípio reaproveitou duas máquinas caça-níquel doadas e, com a investigação dos seus componentes aliado ao uso de  componentes de velhos computadores em desuso doados pela UEFS, conseguiu montar um projeto-piloto de urna eletrônica, que já foi usada ali, em uma eleição interna. A proposta pode se estender para outras finalidades que vão desde a criação de estações de consulta à criação de centros conectados à internet para acesso do público em geral. Tudo isso a partir do reaproveiamento do que é  até  considerado "lixo eletrônico": computadores com baixa capacidade de processamento que podem ganhar nova vida a partir da instalação de softwares livres, como o Linux, bem mais compatíveis com a capacidade limitada dessas máquinas.
Por essas e por outras é que a congregação dos que apóiam a causa do software livre (e todos os projetos de elevado alcance social advindos dele)_ necessita de um missionário como John "Maddog" Hall, a quem fui apresentado recentemente, através do Roda Viva (outra vez, esse programa influenciando a minha "vida online"?). Ficou patente ali que a difusão do sotware livre tem que passar ncessariamente por uma mudança de mentalidade, por uma quebra de paradigmas que talvez nos foram impostos em longos e longos anos de  certa espécie de inculcação ideológica ligada às leis do mercado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Software Livre, Nuvem, Estado, Vida Online: caminhos e descaminhos


Quando penso em software livre (SL), bem, é algo bobo, mas  me vem à lembrança o post  de um membro desses foruns do Orkut que falava justamente sobre a inviabilidade econômica de se aderir ao SL. Lembro que o cara recebeu uma saraivada de críticas por simplesmente defender sua opinião no tal forum, provavelmente de defensores ferrenhos do software livre. Mas acredito que ele tinha razão em grande parte e recebeu críticas dos muitos usuários domésticos de SL, que são os grandes adeptos desse tipo fundamentalismo que encara  empresas como Apple, Adobe, Microsoft, etc, como vilãs  monopolizadoras. Sim, porque há que se diferenciar o usuário comum do usuário desenvolvedor, que ajuda a aperfeiçoar o código, aquele que é o grande responsável pelo crescimento do ambiente colaborativo de onde afinal toda essa corrente libertária, a partir de Linus Torvalds, foi gerada e amplificada. Em suma, poderíamos dizer que aderir é fácil (usufruir melhor ainda), o difícil é programar, dar suporte de graça, dar garantias para as grandes empresas de que a qualquer bug provável ou improvável se encontrará à disposição uma equipe bem treinada para solucionar os problemas. Ou seja, quem assumirá a responsabilidade quando a estrutura montada em código aberto der pau? Quantas pessoas ficarão não mão se isso acontecer? A questão de se implantar ou não o software livre em empresas privadas ou públicas, por incrível que possa parecer a muitos defensores, ainda é mesmo uma questão (do que  chamam) de "custo total de propriedade", que, grosso modo, pode ser entendido como a antiga relação custo-benefício em se implantar nova tecnologia numa corporação. Por exemplo, de que adianta eu mudar a plataforma de minha empresa, deixando de pagar por licenças e aderindo ao open source se, no fim das contas, vou gastar a mesma coisa ou bem mais com pessoal qualificado para manutenção do data center criado?
Basicamente, o que foi dito acima veio a propósito de uma palestra proferida hoje por Camilo Teles, representante do Estado Baiano, na área de empreedendorismo de TI (Secretaria de Ciência e Tecnologia). Intitulada oportunamente de "Software Livre - Caminhos para a Inclusão Digital", Teles faz uma panorâmica breve de como anda a situação da implantação de software livre nas instituições públicas baianas e de brinde ainda comenta aspectos relativos à computação em nuvem, plataformas online, "vida dentro do browser" e gerenciamento de sistemas open source em ampla escala.
Numa visão geral da questão dos monopólios de TIC hoje em dia, percebemos que empresas como Microsoft e Apple podem ter suas expectativas mercadológicas frustradas tanto devido ao crescimento do  software livre como pelo da computação em nuvem. Por outro lado, perpassa também a ausência de certas garantias nos aplicativos criados para a web. Afinal,  a nuvem parece chegar a nós como a bola da vez, mas até que ponto devemos confiar plenamente em suas potencialidades? Ironicamente, é uma pergunta que vez por outra já vinha esboçando neste blog, ao comentar fatos como o das panes do Gmail que causaram insatisfação mundial. Camilo foi muito feliz ao usar a expressão "vida dentro do browser" para qualificar toda essa onda gigantesca de mudança de uma mentalidade (que posso chamar de) "offline" que nós tínhamos (o usuário e seu repositório pessoal no desktop) para esta atual "vida online", onde ninguém existe se não estiver conectado ("disponível"). Por outro lado, Camilo atentou para a outra face da moeda: cada vez mais vida online e vida offline estão mais próximas., no sentido de que está ficando muito sutil a fronteira que separava os seus dados pessoais dos  dados disponíveis e expostos na web. Afinal de contas, o que você acha que recursos cada vez mais usados como os do Google Docs e os do Gmail - para não citar tantos outros  - estão fazendo com a sua vida? Como você acha que eles usam e usarão sua intimidade revelada, seus anseios, suas conversas, enfim, toda a sua produtividade nessa sua vida online? Até que ponto eu posso ter a garantia de que os monopólios criados pela computação em nuvem não irão usar a minha dependência contra mim mesmo? São perguntas que nem mesmo a simples realização de backups frequentes dessa sua nova vida lhe deixariam completamente a salvo.
É de se pensar...