quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Três lições em dois anos na blogosfera (I)

Férias chegando, mais tempo para aquela velha reciclagem de si mesmo. Hora de fazer uma reflexão sobre esta ferramenta de comunicação. 2010 foi um ano produtivo, mas não da maneira que precisava ser. 2010 foi um ano não planejado. Foi um ano vivido sem as promessas às vezes irrealizáveis que traçamos para nós mesmos em dezembro.
Fonte: Amigos de Peniche


               Em dois anos de blog, dá para elencar três lições tiradas, todas sem novidade alguma.
Existem outras, mas ficarão para outro post:
1 – A blogosfera é imensa.
Tudo o que você já fez em um dia, em um mês, em um ano é pouco, tudo o que você irá fazer (inclusive nesse intervalo de tempo que leva planejando) os outros já fizeram, bem mais e melhor que você. Li num blog que são criados mais de 175 mil blogs por dia em todo o mundo e que a média de vida de um blog (útil ou não) é de no máximo 90 dias. Se formos pensar em concorrência na blogosfera, não passaríamos do primeiro post. Os remédios para isso são os conhecidos: planejar, estudar, ler, analisar essa blogosfera toda e correr o risco evidente de, depois de muitas realizações, acontecer de: ou nada vingar de verdade, ou o que der certo não ser aquilo que você havia pensado.
2 – Blogar por passatempo pode ser bom, mas não para mim.
Nada contra quem expressa seu pensamento, esporadicamente ou não, em um blog. Só não é definitivamente o que penso, tanto para este blog quanto para outros que possa vir a ter. Pode ser gratificante em muitos sentidos, mas não é essa sensação de descomprometimento que tem me impulsionado nesses dois anos.
3 - As questões prementes – monetizar ou não? ganhar dinheiro com blog é possível? aderir ou não ao “mercado”? – têm respostas claras: sim, sim e sim. Só isso?
Não. Você só vai ganhar dinheiro na blogosfera se tiver audiência. Fora disso, você entra numa categoria bastante povoada: a dos que estão amadurecendo suas estratégias para atingir o “mercado”. “Amadurecer” aqui significa mesmo muito tempo, paciência e um enorme senso de persistência (diria eu também insistência).
Finalizando, há um lado bonzinho: nessa multidão chamada blogosfera você não corre nunca o risco de se achar sozinho. Aliás, isso é típico da internet. Mas tem mercado para todos? Minha resposta é não, mas também vai depender da sua posição na pirâmide “social” da internet (que vai de leitor a produtor de alguma coisa).
Por sinal, o “mercado” no contexto da blogosfera é também uma abstração interessante: ele não tolera o blogueiro que é um pontinho no meio do oceano. Ele é uma selva que não tolera aquele que se aventura de uma só vez por vários de seus nichos, sem ser satisfatório em quase nenhum deles. Ele também produz os gurus mais rentáveis do momento: aqueles que ensinam os outros a ganhar dinheiro com blogs. Essa espécie de metalinguagem bloguística é a que mais tem atraído os que têm se convencido de que vale a pena levar um blog a sério. Lembra muito o “mercado” dos concurseiros e seus respectivos gurus. Lembra muito a vida como ela é.

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O que os brasileiros buscaram em 2010?

 Google Zeitgeist

Quem deu uma lida no Google Zeitgeist 2010/ Brasil conseguiu ter uma boa noção de como o Brasil fez uso da internet através daquilo que ela tem de mais volumoso: o próprio Google. Certa feita, estranhei o fato de na Bahia poucos usarem o Formspring.me e agora me surpreendo ao ver que, depois de Larissa Riquelme (claro, em ano de Copa!), “formspring” foi o termo mais pesquisado na seção de consultas emergentes do Zeitgeist. Os termos “emergentes” são aqueles termos de busca, digamos, sazonais, sintomáticos para um determinado período em que algum evento, alguma celebridade, alguma programação televisiva, algo do tipo, etc estão em foco na mídia: enem, justin bieber, bbb 2010, enem 2010, restart, hotmail.com.br (provavelmente pela coqueluche do Msn) , luan santana, assistir filmes online e globo.com.br.
Em 10º lugar lista dos interesses sociais emergentes aparece o salário mínimo 2010. Isso me levou a umas indagações: o brasileiro internauta desconhece o valor atual do salário mínimo, ele esteve interessado em comparar o valor atual com o valor estimado pelos candidatos nas promessas de campanha ou procurou se informar a respeito do valor previsto no Orçamento Federal para 2011?
O termo “eleições 2010”, naturalmente, ficou em um honroso 4º lugar, demonstrando que o internauta tupiniquim exerceu com afinco a sua cidadania digital eleitoral.
A Globo.com lidera o ranking de buscas nacionais por informação jornalística. E não só isso: a Globo liderou outros departamentos em 2010, como o de esportes (Globo Esporte) e o BBB. 
Por fim, duas marcas de cosméticos aparecem na lista dos mais buscados na área de cuidados pessoais (Avon e O Boticário). Isso, por si só, já vai ser um motivo extra para as duas companhias inserirem nas confraternizações de final de ano a comemoração pelo sucesso do marketing gratuito na Internet. Hora delas também repensarem suas inserções nas mídias sociais, que tem sido o caminho natural trilhado por muitas.

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