terça-feira, 6 de outubro de 2009

Computação em nuvem e as panes do Gmail

À guisa de update, este post só serve para reforçar por outras palavras o resumo crítico da situação Gmail/Nuvem que Fugita  fez outro dia.
O Gmail deixou muita gente na mão algumas vezes, e daí? Em escala planetária, ficar duas horas indisponíveis na plataforma web não é nada (e eu, pelo menos depois que passei a usar o Gears, nem posso reclamar...). Essa celeuma midiática em torno das panes do Google/Gmail é um pouco perigosa e exagerada. O problema é que estamos acostumados talvez a cobrar muito do Google como um todo, o que cada vez mais torna patente a instauração de uma cultura de dependência da empresa para muita coisa. No momento, não sei se isso é bom, ou se pode guardar um risco futuro, ou se tudo  não passa de uma teoria boba da conspiração. O fato é que confiar plena e irrestritamente na nuvem (sinônimo dos serviços do Google?) ainda não é prudente, embora de certa forma eu mesmo já venha alimentando essa noção, como usuário assíduo e pé no chão desses serviços.
Outra coisa: essa questão de cobrarmos por um serviço gratuito de qualidade - como se estivéssemos falando do serviço de saúde ou de educação da nossa cidade, onde pagamos impostos - não tem respaldo no universo da cloud computing, aliás, não tem respaldo em nada gratuito na web, com o perdão da generalização.
Essa premissa só é mentirosa para aqueles que tenham assinado contrato com a Locaweb.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Classe C na Web: arrombar ou ser arrombado?

Sandra Carvalho, na Info de setembro, diz que a "classe C hoje manda e desmanda na internet".  A participação dessa classe vem crescendo, com previsão de se chegar a 45% até o final deste ano, bem maior que o percentual do ano anterior. Não quero ser estatística ou virar índice social em pesquisa de mercado alguma, mas estou cauteloso ao digerir esses dados. Prefiro remar na maré contrária e desconfiar de uma classe C que vem dando "show na internet", por mais que me mostrem os números.

Fiquemos com um caso isolado.
Um mês foi o suficiente para comprovar mais ou menos o que Andrew Keen* de certa forma já tinha comentado numa entrevista recente à própria Info: muita gente tem uma relativa ilusão com o que realmente é "free", é sem dono, é gratuito na internet. Ou seja, por trás dessa máscara do gratuito na web, está-se pagando por tudo, do consumo de energia ao consumo de internet (provedor, equipamentos, etc). Pois bem. Em um mês  com computador em um lar classe C, não pude dizer que fui privilegiado. Aprendi na prática a maneira como essa imersão na web vem se configurando. Fazendo um balanço rápido, vejamos: a conta de energia no período praticamente duplicou e o pacote de dados de banda larga foi de longe insuficiente para a demanda que não quer ser reprimida. Curiosamente, é a banda que mais tem crescido no Brasil! E aqui deixo um conselho bem óbvio: fuja dos pacotes de banda larga que te oferecem conexão limitada, pois terá prejuízo na certa. Na internet, o mais caro infelizmente ainda  é relativamente o melhor. O que ocorre fora disso geralmente é "meia boca", dá apenas para remediar.
Dito isso, concluo que a classe C vem sendo arrombada no bolso. Internet é mesmo cara no Brasil (não posso falar do resto do mundo).
Sandra diz ainda que "vivemos finalmente um círculo virtuoso em que praticamente todo mundo ganha, e ninguém perde". Por um lado, outra vez, isso é fato: de certa forma, ninguém perde com a internet, quando usada prudentemente, pois informação não chega a ser demais, a
depender dos filtros mentais ou da paciência de cada um. Fora isso, não estamos levando vantagem em coisa alguma.