Estou lendo Hacker: Invasão e Proteção. Dicas e truques para atacar e se defender na internet. É a segunda edição ampliada do livro de Wilson José de Oliveira, editado pela Visual Books. Defasado, em partes. Escrito no ano 2000, pode servir bem como livro feito para quem tem pouco conhecimento no assunto e portanto tem pouco a contribuir para esse mundo de jovens talentosos que usam o computador para o bem e para o mal - dos outros. Para o escriba aqui, é um best seller, independente de tratar de sistemas operacionais já quase que em desuso, como o Windows 95, 98 e NT, mas não apenas desses. Acredito que embora na quadragésima página, didaticamente será uma aula e tanto para mim. Antes que imaginem, meu interesse não é nem nunca foi ser hacker ou mesmo um lamer (nem me importa se por acaso essa terminologia já ficou obsoleta). A habilidade do livro reside justamente nisso: não ensinar o passo-a-passo para se tornar um hacker, até porque o autor sabe que fracassaria. Contudo, há bons conselhos ali. Afinal, da mesma maneira que o trânsito urbano exige cada vez mais que treinemos uma direção defensiva, o mesmo ocorre na web, universo em que muitas vezes não se tem a mínima noção acerca do rumo ao qual certas navegações estão nos levando.
O livro começa fornecendo as definições básicas de termos como hacker, cracker, phreaker, guru, lamer, wanabe, larva e araker. Depois, o autor inicia uma incursão pelos temas centrais que delineiam a carreira desses (por que não chamar positivamente assim) profissionais da informática. Daqui por diante, vai discorrendo sobre segurança da informação, itens de segurança, habilidades de um hacker que se preze, sistemas operacionais, linguagens de programação, vulnerabilidades,vírus, tipos de vírus e seus malefícios, protocolos, como hackear um PC, enfim, uma miscelânia de assuntos que certamente interessarão a muitos, do simples usuário ao mais avançado. O primeiro encontrará ali uma fonte de inspiração para se dedicar aos estudos (hacker tambem tem que estudar, não é só talento que conta!); os últimos provavelmente irão se identificar com o que é transmitido ali. Todos temos a ganhar.
Com certeza, é uma leitura que vale mais a pena do que aquelas horas perdidas no no site errado.
Você esperava algo mais dessas primeiras quarenta páginas? Esse post não vai sequer continuação.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Educação brasileira e seu reflexo na web
Já há alguns posts venho falando, ainda que sutilmente, sobre o mau uso que algumas pessoas fazem da internet. Pois bem. Acabo de conferir que o blogueiro (mas engenheiro e professor) Ruy Flávio de Oliveira, há cinco dias atrás, resumiu bem a questão e percebo que comungamos do mesmo raciocínio. Aliás, eu, o Ruy e você que me lê. Inevitável para mim não tentar "resenhá-lo", neste momento.
Assistimos no Brasil, atualmente, ao que o articulista chama de "protótipo de inclusão digital". Os números de usuários de computadores têm aumentado consideravelmente. No entanto, isso não significa praticamente nada do ponto de vista do quadro educacional precário do país. Pelo contrário: a inclusão digital não trouxe efeitos positivos de imediato para o avanço educacional. Em uma pesquisa citada noutro post, se detectou um fato que pode servir neste momento para clarear um pouco mais: o brasileiro tem mais oportunidade para consumir bens tecnológicos e acesso à internet, mas ainda carece de conhecimento, habilidade mesmo, quando se trata de lidar com tais equipamentos e tecnologias.
Como internautas, muitos demonstram completa imprudência, singrando por mares perigosos e nunca dantes navegados. Parafraseando o professor Ruy, o internauta se atira, na realidade virtual, de barriga em um mar cheio de tubarões famintos. Ou, pelas palavras do blogueiro, "além de não saberem nada sobre navegação, muitos se lançam ao mar em barcos precariamente preparados e sem saberem nem como nadar". É patente que pouco se pensa em segurança nesse tipo de navegação: salvo alguns itens de software básicos e legalmente adquiridos, tudo o mais - de anti-vírus a editores de texto - se resume a baixar e utilizar e acessar e acessar, naquela sanha do "tudo é free, internet não tem dono, tudo é grátis".
Aos que se deixam levar pelo entretenimento vazio de conteúdo e de critérios, Oliveira deixa um recado certeiro:
"A avidez por diversão, por conteúdo, por novas experiências e novos sites, leva a um frenesi de cliques, downloads e visitas que não obedecem a nenhum critério de análise mais elaborado. 'Que mané critério, que nada' bem poderia ser o slogan para essa horda de usuários. Site com vírus? Quem se importa? Download infectado? Quem se importa?"
Como resultado disso tudo, novos usuários vulneráveis nascem na Internet a cada minuto. Contrariando a idéia que se tem de que o brasileiro manda muito spam, Ruy Flávio afirma que o mérito de ser "campeão" de envio de spam não é nosso, mas vem a ser o "resultado direto da falta de segurança que vivemos em nossas incursões online. Botnets vasculham ininterruptamente máquinas pela internet afora em busca daquelas que apresentem vulnerabilidades". E "como no Brasil isso é o que não falta, os donos dessas botnets infectam nossos computadores com códigos maliciosos que transformam os PCs domésticos em verdadeiros zumbis, os tais proxies abertos".
Vou concluir repetindo de outro modo o que ficou enfatizado antes: se algo pode ser comprovado de tudo o que estamos vendo acontecer na Internet é o fato de que é precipitado pensar que a tal inclusão digital venha a significar que o brasileiro está tendo acesso a mais informação de qualidade, ou seja, se educando mais, absorvendo melhor aquilo que anos de educação institucional não conseguiu fazer. Enfim, é falsa a idéia de que acesso a mais informação leve necessariamente a formação. Com isso, ocorre que a internet não mascara a nossa real situação. Também não a corrige, por vezes até a piora, acomoda mais as pessos a um relativo conformismo mesquinho.
A falta de instrução de qualidade, problema atávico do Brasil, fica refletida nas estatísticas de uso da web pelos braslleiros e a pergunta que fica é: o que fazer para mudar o quadro?
Aqui já deixo uma provável resposta registrada: aliar aquilo que a internet tem de melhor ao que o Brasil já tem de antigo, na acepção positiva da palavra. Que os computadores cheguem à salas de aula e que não sirvam apenas para se ensinar word e paint. Que os instrutores de informática sejam banidos das escolas e, por fim, que nós, pedagogos e professores, antes de ensinarmos o que venha a ser navegação segura, sejamos alfabetizados digitalmente.
Assistimos no Brasil, atualmente, ao que o articulista chama de "protótipo de inclusão digital". Os números de usuários de computadores têm aumentado consideravelmente. No entanto, isso não significa praticamente nada do ponto de vista do quadro educacional precário do país. Pelo contrário: a inclusão digital não trouxe efeitos positivos de imediato para o avanço educacional. Em uma pesquisa citada noutro post, se detectou um fato que pode servir neste momento para clarear um pouco mais: o brasileiro tem mais oportunidade para consumir bens tecnológicos e acesso à internet, mas ainda carece de conhecimento, habilidade mesmo, quando se trata de lidar com tais equipamentos e tecnologias.
Como internautas, muitos demonstram completa imprudência, singrando por mares perigosos e nunca dantes navegados. Parafraseando o professor Ruy, o internauta se atira, na realidade virtual, de barriga em um mar cheio de tubarões famintos. Ou, pelas palavras do blogueiro, "além de não saberem nada sobre navegação, muitos se lançam ao mar em barcos precariamente preparados e sem saberem nem como nadar". É patente que pouco se pensa em segurança nesse tipo de navegação: salvo alguns itens de software básicos e legalmente adquiridos, tudo o mais - de anti-vírus a editores de texto - se resume a baixar e utilizar e acessar e acessar, naquela sanha do "tudo é free, internet não tem dono, tudo é grátis".
Aos que se deixam levar pelo entretenimento vazio de conteúdo e de critérios, Oliveira deixa um recado certeiro:
"A avidez por diversão, por conteúdo, por novas experiências e novos sites, leva a um frenesi de cliques, downloads e visitas que não obedecem a nenhum critério de análise mais elaborado. 'Que mané critério, que nada' bem poderia ser o slogan para essa horda de usuários. Site com vírus? Quem se importa? Download infectado? Quem se importa?"
Como resultado disso tudo, novos usuários vulneráveis nascem na Internet a cada minuto. Contrariando a idéia que se tem de que o brasileiro manda muito spam, Ruy Flávio afirma que o mérito de ser "campeão" de envio de spam não é nosso, mas vem a ser o "resultado direto da falta de segurança que vivemos em nossas incursões online. Botnets vasculham ininterruptamente máquinas pela internet afora em busca daquelas que apresentem vulnerabilidades". E "como no Brasil isso é o que não falta, os donos dessas botnets infectam nossos computadores com códigos maliciosos que transformam os PCs domésticos em verdadeiros zumbis, os tais proxies abertos".
Vou concluir repetindo de outro modo o que ficou enfatizado antes: se algo pode ser comprovado de tudo o que estamos vendo acontecer na Internet é o fato de que é precipitado pensar que a tal inclusão digital venha a significar que o brasileiro está tendo acesso a mais informação de qualidade, ou seja, se educando mais, absorvendo melhor aquilo que anos de educação institucional não conseguiu fazer. Enfim, é falsa a idéia de que acesso a mais informação leve necessariamente a formação. Com isso, ocorre que a internet não mascara a nossa real situação. Também não a corrige, por vezes até a piora, acomoda mais as pessos a um relativo conformismo mesquinho.
A falta de instrução de qualidade, problema atávico do Brasil, fica refletida nas estatísticas de uso da web pelos braslleiros e a pergunta que fica é: o que fazer para mudar o quadro?
Aqui já deixo uma provável resposta registrada: aliar aquilo que a internet tem de melhor ao que o Brasil já tem de antigo, na acepção positiva da palavra. Que os computadores cheguem à salas de aula e que não sirvam apenas para se ensinar word e paint. Que os instrutores de informática sejam banidos das escolas e, por fim, que nós, pedagogos e professores, antes de ensinarmos o que venha a ser navegação segura, sejamos alfabetizados digitalmente.
Assinar:
Comentários (Atom)